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domingo, 29 de junho de 2014

Na terra do “Se” de Martha Medeiros

Se quem luta por um mundo melhor soubesse que toda revolução começa por revolucionar antes a si próprio.
Se aqueles que vivem intoxicando sua família e seus amigos com reclamações fechassem um pouco a boca e abrissem suas cabeças, reconhecendo que são responsáveis por tudo o que lhes acontece.
Se as diferenças fossem aceitas naturalmente e só nos defendêssemos contra quem nos faz mal.
Se todas as religiões fossem fiéis a seus preceitos, enaltecendo apenas o amor e a paz, sem se envolver com as escolhas particulares de devotos.
Se a gente percebesse que tudo o que é feito em nome do amor ( e isso não inclui o ciúme e a posse) tem 100% de chance de gerar boas reações e resultados positivos.
Se as pessoas fossem seguras o suficiente para tolerar opiniões contrárias às suas sem precisar agredir e despejar sua raiva.
Se fôssemos mais divertidos para nos vestir e mobiliar nossa casa, e menos reféns de convencionalismo.
Se não tivéssemos tanto medo da solidão e não fizéssemos tanta besteira para evitá-la.
Se todos lessem bons livros.
Se as pessoas soubessem que quase sempre vale mais a pena gastar dinheiro com coisas que não vão para dentro do armários, como viagens, filmes e festas para celebrar a vida.
Se valorizássemos o cachorro-quente tanto quanto o caviar.
Se mudássemos o foco e concluíssemos que a infelicidade não existe, o que existe são apenas momentos infelizes.
Se percebêssemos a diferença entre ter uma vida sensacional e uma vida sensacionalista.
Se acreditássemos que uma pessoa é sempre mais valiosa do que uma instituição: é a instituição que deve servir a ela, e não o contrário.
Se quem não tem bom humor reconhecesse sua falta e fizesse dessa busca a mais importante da sua vida.
Se as pessoas não se manifestassem agressivamente contra tudo só para tentar provar que são inteligentes.
Se em vez de lutar para não envelhecer, lutássemos para não emburrecer.
Se.

Martha Medeiros

quarta-feira, 4 de junho de 2014


Mais um evento organizado pela equipe PerCursos. Agradeço as minhas colegas de trabalho pelas trocas e dedicação, a Prof. Tãnia Nogueira que facilitou as negociações com a Universidade Fumec para conseguirmos o espaço e a todos os participantes do evento que estão contribuindo a cada dia com o crescimento da PerCursos. Além, da querida Marilene Krom que nos trouxe tantos aprendizados e a oportunidade de irmos atrás dos nossos mitos familiares de uma forma tão acolhedora e amorosa.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Vender Produtos de Psicologia é anti ético?

Na minha opinião, não. Acho até que “não vender” é antiético.

Acabei de ler um artigo em que uma psicóloga, que escreve muito bem por sinal, acha um absurdo chamar pacientes de “clientes”,e diz que fica parecendo uma relação comercial. Parecendo???
Algumas pessoas associam a ideia de comércio à bens ou serviços que sejam fúteis ou que apenas preencham uma necessidade do tipo conforto, segurança, transportes, estética, lazer e outras coisas, digamos, menos nobres do que a psicologia. Nada é mais nobre que educação. Ainda assim se vende, e muito.

E ainda bem que se vende, ainda bem que fazem propaganda, ainda bem que nos lembram o tempo todo o quanto é importante.
É verdade que não é todo mundo que “precisa” de um psicólogo. Mas praticamente todo mundo poderia se beneficiar muito de um processo terapêutico como forma de desenvolvimento pessoal. Sabe quando você descobre alguma coisa muito útil em sua vida e se surpreende com o quanto não fazia ideia de que aquilo existia e poderia te fazer bem?
Pra mim a psicologia é isso. As pessoas só não procuram mais porque não sabem exatamente do que se trata e associam terapia à algum tipo de debilidade mental ou emocional.

Promoção De Saúde

Consultório de psicologia não é lugar apenas pra gente doente das emoções. É lugar pra gente que “não quer” adoecer emocionalmente. É lugar para gente que quer ser melhor. Melhor com a família, melhor consigo mesmo, melhor com a vida. A ideia de associar a palavra “venda” e a palavra “cliente” à relações comerciais supérfluas é apenas um ponto de vista.
“Ah sabe, parece que é uma relação comercial”. Parece não. É uma relação comercial. Psicologia é uma profissão.
“Eu vendo carros, vendo roupas, vendo tangerina importada, mas não vendo terapia!”.
Porque não? As pessoas por acaso precisam mais de carros e de roupas bacanas do que de terapia?
Vender não é induzir alguém à comprar algo de que não precise. Vender é ter um produto, ou no nosso caso, um serviço, e falar do quanto ele pode fazer bem. Compra quem quiser. O fato de eu vender um serviço de psicologia não significa que estou dando a ele menos seriedade.

(Você faz ideia de quanto custa um transplante de coração?). Eu não serei um profissional menos atencioso, menos sério e menos profundo na minha prática pelo fato de eu ostensivamente buscar pessoas para meus serviços. Pessoas que podem melhorar muito suas vidas com o que eu tenho a oferecer, mas não sabem disso. Poucas profissões neste mundo são tão mal compreendidas quanto a psicologia. Pare uma pessoa na rua e pergunte o que um psicólogo faz pra você ver. Digo mais. Muito psicólogos não saberiam dizer quantos são os campos de atuação. A terapia é um deles. Eu enxergo a psicologia, suas diversas práticas, e inclusive o processo terapêutico como ferramentas de desenvolvimento humano.
Uma pessoa não precisa estar emocionalmente enferma para se beneficiar de uma relação terapêutica. Até o mais equilibrado dos seres humanos hoje em dia teria certamente muita coisa para tratar numa sessão com um bom psicólogo. Melhorar, evoluir, crescer, é disso que estou falando.

Acho que é câncer doutor!

Câncer é uma doença seríssima. Tão séria que vemos constantemente propagandas na televisão incentivando as pessoas, em especial mulheres, a se auto avaliarem, e se for o caso procurarem um médico.Você já viu alguma campanha ou iniciativa que proponha um teste ou uma ferramenta simples,através da qual as pessoas possam avaliar sua saúde emocional e, se for o caso, procurar um psicólogo? Não. Agora me responda: Depressão é menos sério que câncer? Aliás, não se sabe hoje que de emoções negativas podem surgir manifestações orgânicas e que o câncer é uma delas?
Muita gente está emocionalmente doente por aí e não sabe disso.
Achar que uma pessoa deve espontaneamente procurar um psicólogo somente quando estiver mal é a mesma coisa que achar que um doente só deve procurar um médico quando, por si mesmo, constatar uma doença.
Os males físicos são muitíssimo mais evidentes que os males emocionais e de comportamento.Ainda assim ensinamos as pessoas a identificar e buscar ajudar para eles.

“Ah, mas no caso das emoções não!”. Não podemos influenciar. Não podemos vender.
Não devemos comercializar. Isto seria banalizar uma coisa tão séria.
Bobagem. Demagogia.

É Preciso Educar

Se déssemos mais atenção à educação emocional em nossas vidas o mundo estaria bem melhor e os consultórios de psicologia clínica muito mais cheios. (Isso sem falar nas dezenas de outros serviços que o psicólogo pode oferecer)
Se mostrássemos às pessoas de forma pragmática e clara como podemos ajudá-las a viver melhor, não haveriam tantos de nós lutando para sobreviver profissionalmente.
Vender, mostrar, comercializar, falar aos quatro cantos dos serviços que temos e dos resultados que podemos produzir não é uma opção. É um dever. Promover saúde não é ficar com a bunda na poltrona esperando que um cliente (ou paciente se quiser) bata à sua porta. Porque quando batem, é porque já sofreram demais.

Deixemos de demagogia barata e mostremos ao mundo o quanto podemos contribuir para uma sociedade melhor. Esta não é só nossa ciência e nossa paixão.É também nossa profissão.
É dela que vamos tirar nossa prosperidade. E o melhor de tudo, faremos isso levando saúde aos outros.Se não concorda, estou ansioso pra te ouvir.

Bruno Soalheiro É psicólogo comportamental, palestrante e sócio diretor da Fator de Sucesso, empresa que oferece consultoria e treinamento para o desenvolvimento de pessoas e organizações. Atua também como Coach de Carreira, especializado em jovens profissionais e recém-formados.
http://fatordesucesso.com.br/vender-servicos-de-psicologia-e-antietico/

domingo, 23 de março de 2014

1 Grupo de Terapeutas de BH organizado pela Equipe PerCursos


Mais um avento...muitos aprendizados. Agradeço as minhas queridas colegas de "PerCursos" por mais este trabalho juntas. Também a todas as colegas que "compraram" a nossa ideia e estiveram com a gente no 1 Grupo de Terapeutas de BH fazendo trocas e compartilhando experências e a Fernanda Seabra por se disponibilizar a compartilhar dos seus aprendizados conosco.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A Vida que pediu a Deus

Se fosse feita uma enquete nas ruas com a pergunta "você tem a vida que pediu a Deus?", a maioria responderia com um sonoro qua, qua, qua. Lógico que alguém desempregado, doente ou que tenha sido vítima de uma tragédia pessoal não estará muito entusiasmado. Mas mesmo os que teriam motivos para estar - aqueles que possuem emprego, saúde e alguma relação afetiva, que é considerada a tríade da felicidade - também não têm achado muita graça na vida.

O mundo é habitado por pessoas frustradas com o próprio trabalho, pessoas que não estão satisfeitas com o relacionamento que construíram, pessoas saudosas dos velhos amores, pessoas que gostariam de estar morando em outro lugar, pessoas que se julgam injustiçadas pelo destino, pessoas que não aguentam mais viver com o dinheiro contado, pessoas que gostariam de ter uma vida social mais agitada, pessoas que prefeririam ter um corpo mais em forma; enfim, os exemplos se amontoam. Se formos espiar pelo buraco da fechadura de cada um, descobriremos que estão relativamente bem, mas poderiam estar melhor.

Por que não estão? Ora, a culpa é do governo, do Papa, da sociedade, do capitalismo, da mídia, do inferno zodiacal, dos carboidratos, dos hormônios e demais bodes expiatórios dos nossos infernizantes dilemas. A culpa é de tudo e de todos, menos nossa.

Um amigo meu, psiquiatra, costuma dizer uma frase atordoante. Ele acredita que todas as pessoas possuem a vida que desejam. Podem até não estar satisfeitas, mas vivem exatamente do jeito que acham que devem. Ninguém as força a nada: nem o governo, nem o Papa, nem a mídia. A gente tem a vida que pediu, sim. Se ela não está boa, quem nos impede de buscar outras opções?

Quase subo pelas paredes quando entro nesse papo com ele porque respeito muito as fraquezas humanas. Sei como é difícil interromper uma trajetória de anos e arriscar-se no desconhecido. Reconheço os diversos fatores - família, amigos, opinião alheia - que nos conduzem ao acomodamento.

Por outro lado, sei que meu amigo está certo. Somos os roteiristas da nossa própria história, podemos dar o final que quisermos para nossas cenas. Mas temos que querer de verdade. Querer para valer. É este o esforço que nos falta.

A mulher que diz que adoraria se separar mas não o faz por causa dos filhos, no fundo não quer se separar. O homem que diz que adoraria ganhar a vida em outra atividade, mas já não é jovem para experimentar, no fundo não quer tentar mais nada.

É lá no fundo que as razões verdadeiras levam as pessoas a mudarem ou a manterem as coisas como estão. É lá no fundo que os desejos e as necessidades se confrontam. Em vez de nos queixarmos, ganharíamos mais se nadássemos até lá embaixo para trazer a verdade à tona. E então deixar de sofrer.
Martha Medeiros

domingo, 26 de janeiro de 2014

Confiram a Programação da Equipe PerCursos para este semestre





Equipe PerCursos


O que é PerCursos?
É uma organização formada por um grupo de Psicólogas, Camila Lobato, Cristiane Peretti, Ana Teresa Veloso, de Belo Horizonte-MG que periodicamente promove Palestras e Cursos na área da Psicologia, sempre com palestrantes de renome nacional e internacional.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Atravessando 2013 para 2014

“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”, já dizia Guimarães Rosa.

Mais um ano teremos em breve para atravessar: muitas coisas vamos levar; outras, precisamos deixar. Não vamos levar, ou não devemos levar, porque já não tem a forma do nosso corpo, já não fazem sentido para nós. Talvez sejam coisas que nos levam sempre aos mesmos lugares e impedem o ir além. E devemos carregar e fortalecer aquilo que realmente faz sentido para cada um, o que nos coloca em movimento e ajuda a realizar a melhor versão de nós mesmos.

Importante para quem quer movimento. Todos nós queremos? Será? Não é uma tarefa fácil, exige trabalho, mas nos faz desdobrar, integrar, esta por inteiro na vida, nas relações de forma saudável mesmo com os limites e dificuldades.

Nessa passagem que leva a reflexões e questionamentos, podemos ser tomados por dois pensamentos que nos colocam em xeque o apego ao velho e o medo, a preocupação (pré – ocupar) com o novo. Pergunto: o que nos leva a não passarmos pelas coisas, a não pensarmos na travessia? Será que acomodamos em excesso ao velho e não abrimos para o novo? Ser humano não pensa em travessia, não queremos passar pelas coisas, queremos é chegar ou acomodar no velho. Porque será?

Nesse artigo, quero, portanto refletir com vocês a travessia para o próximo ano: o caminho de 2013 para 2014. E, assim, pensarmos nas coisas boas que o novo reserva, nas alegrias que podem vir, com o conseqüente desapego ao medo, à preocupação, ao desconhecido que um ano que está para começar nos reserva. Mas já vou logo dizendo: não espere que as coisas mudem simplesmente porque um novo ano está chegando. A mudança esta em cada um de nós!Vamos ser a mudança que queremos ver, não espere pela mudança dos outros.Quer um ano melhor? Não espere por ninguém. Tenha coragem para construir o seu caminho e fazer a sua travessia.

Mas pra que falar de ano novo? O ano continuará tendo a mesma quantidade de dias, o dia continuará tendo 24 horas, a noite e o dia vão se alternar, além de dias quentes e frios...Tudo igual. O novo será cada um de nós. As soluções que vamos arrumar, assim como os problemas. O ponto de vista diante de uma situação. Como continuaremos numa relação. O que vamos fazer de melhor e como iremos lidar com os desentendimentos seja nas relações, trabalho e com a gente mesmo. Apenas essas coisas podem mudar. E, portanto, para a travessia para o ano novo o que mais precisamos é coragem. E não uma coragem comum, mas extraordinária. E o mundo esta cheio de covardes; por isso as pessoas param de crescer, ir além e movimentar.

Como se pode crescer sendo covarde? A cada nova oportunidade você recua, fecha os olhos? Que movimento fez no ano de 2013? Como poderá ser melhor em 2014?

“A entrada para o novo é a única coisa capaz de transformar você; não há outro meio de transformação. Se você deixar que o novo entre, você nunca mais será o mesmo” Autor Desconhecido

Desejo a todos vocês uma maravilhosa travessia para 2014, com um caminho cheio de coragem, responsabilidade, paz, movimentos, planos reais, amor e saúde. O caminho é nosso. Nós somos autores da travessia que queremos construir. Agradeço a vocês, clientes, colegas de trabalho, leitores, mestres e toda a equipe do jornal que atravessaram comigo este ano de 2013. Que venham novas travessias!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Workshop com Iara Camaratta


Este final de semana estive organizando junto com minhas colegas da PerCursos mais um evento em BH - Participação da Terapeuta de Casal e Família Iara Camaratta. Um dia de muitos aprendizados sobre " A Construção do Vínculo do Amor".




terça-feira, 29 de outubro de 2013

SER FELIZ OU TER RAZÃO?

Para reflexão...

Oito da noite, numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita.
Discutem. percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
- Se tinha tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devia ter insistido um pouco mais...
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

Moral da história:

Esse fato foi contado por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.
Diante disso me pergunto:
'Quero ser feliz ou ter razão?'

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Masturbação infantil: como lidar com a descoberta dos órgãos sexuais pelas crianças?


Especialistas enfatizam a importância de pais, professores e demais agentes pedagógicos de meninos e meninas a não se deixarem contaminar pelo olhar adulto. Para a criança, a masturbação nada mais é que uma exploração biológica do próprio corpo que é prazerosa e, portanto, vai se repetir
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“Mamãe, tenho que te contar um segredo: mexe lá na perereca para você ver o tanto que é gostoso”. A frase é de uma menina de 5 anos. A mãe, que não será identificada, conta que achou engraçada a ingenuidade da filha. A solução que encontrou foi orientá-la a ter cuidado para não se machucar já que, por ter a pele sensível, a garotinha ainda usa pomada contra assadura. A dificuldade do adulto em lidar com cenas da masturbação infantil ou atos de interesse nos genitais de outras crianças está marcada pela carga cultural que envolve a sexualidade. “O prazer do adulto está além do físico, a excitação passa pela fantasia. Para a criança, é apenas uma experiência sensorial: ela descobriu que é gostoso e vai repetir”, explica a psicóloga e doutoranda em educação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Anna Cláudia Eutrópio B. d'Andrea.

É consenso entre especialistas que bater, xingar, reprimir não é o caminho para tratar a masturbação na infância. Livro: 'Mamãe como eu nasci?', de Marcos Ribeiro.
É consenso entre especialistas que bater, xingar, reprimir não é o caminho para tratar a masturbação na infância. Livro: 'Mamãe como eu nasci?', de Marcos Ribeiro | Ilustração: Bia Salgueiro


Ainda assim não é raro que os pais se assustem quando confrontados com a questão. Muitos podem relutar em admitir o que estão presenciando, talvez por não se lembrarem de situações semelhantes já vividas no passado. Mas um teste rápido é capaz de comprovar que o interesse pelos genitais não é fato isolado. Experimente perguntar às pessoas ao seu lado se elas se lembram de algum episódio durante a infância de brincadeiras sexuais consigo mesmas ou com pessoas próximas. No teste da repórter na redação, dois episódios logo surgiram. No primeiro, um estudante de 7 anos que encontrou dois coleguinhas sem calças na hora do recreio e chamou a professora imediatamente. Não por que intuiu alguma "coisa errada", mas por que queria brincar naquele lugar. No segundo, uma filha avisou ao pai que assistia à televisão: ‘vou ali no quartinho e não quero que você entre lá’. Obviamente ele foi atrás e encontrou a filha pelada em cima do irmão mais velho, também uma criança sem roupas.

Psicóloga, professora da PUC Minas e coordenadora da educação infantil da escola Balão Vermelho, em Belo Horizonte, Adriana Monteiro reforça a importância de o tema ser compreendido como uma curiosidade natural da criança. “É uma forma de exploração corporal como colocar a mão na boca, a semente do feijão no ouvido ou morder o coleguinha para poder conhecer o corpo do outro. Quando descobre os órgãos genitais a criança vai sentir prazer na descoberta e insistir no comportamento”, salienta. Para Adriana, uma das grandes dificuldades está no fato de as escolas não saberem lidar com o tema e terem uma abordagem mais moralista.

Abordagem
Pesquisadora em educação em sexualidade, Anna Cláudia observa que a menina de 5 anos já compreende que o “mexer na perereca” é da intimidade quando usa a palavra segredo para contar à mãe sua descoberta. Nesses casos, fica mais fácil ajudar os pequenos a compreenderem que o toque nos órgãos sexuais não é para ser praticado na frente das pessoas. Mas e quando é uma criança de 2 anos? Apesar de existirem marcos do desenvolvimento infantil, os pais precisam sempre lembrar que cada criança é única e tem o seu tempo para descobrir e entender o mundo ao seu redor. Considerando esse aspecto, Adriana Monteiro afirma que nessa idade é raro a masturbação ser um hábito frequente que necessite uma intervenção. “O que a gente faz é chamar a atenção da criança para outra ação sem repreendê-la”, diz.

Para Anna Cláudia, os adultos educam sexualmente não só com o que eles falam, mas também com o que não é dito. “A criança é uma esponja e ela percebe mais coisas do que o adulto consegue notar que ela percebe”, lembra. Ela recomenda - nos casos de a masturbação acontecer em público - que os pais façam a interdição em particular. “Se é da intimidade, a abordagem tem que ser de forma íntima, senão, o adulto estará transmitindo uma mensagem paradoxal”, pontua. Uma dica importante é usar o adulto como um espelho para ajudar a criança a compreender a orientação. “Você vê o seu pai fazendo isso na frente das pessoas?”, pode ser uma comparação a ser utilizada.



Prevenção
O que esses meninos e meninas precisam entender é que o pênis e a vulva são partes do corpo para serem lidados quando eles estiverem sozinhos. Esse recado ajuda as crianças a irem percebendo que o corpo é exclusividade delas. Dessa forma, os pais estão trabalhando, inclusive, a prevenção. Anna Cláudia reforça: “As crianças não se excitam. A experiência é exclusivamente sensorial. O problema está no olhar do adulto para a sexualidade infantil. O adulto erotiza e enxerga coisa que não tem”.

Insistência
É consenso entre especialistas que bater, xingar, reprimir não é o caminho para tratar a masturbação na infância, mesmo se o comportamento for insistente. Adriana Monteiro diz que a criança não entende que, moralmente, o comportamento em público não é bem aceito. “Em ambiente privado, os pais precisam dizer que é algo para se fazer quando estiver sozinho, no banheiro ou no quarto. O que o adulto precisa fazer é dar a noção da intimidade. Se a criança insiste, a conversa precisa se repetir”, sugere.

O artifício que a educadora utiliza na escola é chamar a criança em ambiente privado, reconhecer a vontade que ela tem em repetir o ato e fazer um combinado: “todas as vezes que você fizer esse tipo de brincadeira vou de ajudar a lembrar de outras brincadeiras”. Adriana diz que crianças de 3 e 4 anos conseguem manter o acordo.

'Os adultos educam sexualmente não só com o que eles falam, mas também com o que não é dito' - Anna Cláudia Eutrópio B. d´Andrea, doutoranda em educação em sexualidade da UFMG (Arquivo Pessoal )
"Os adultos educam sexualmente não só com o que eles falam, mas também com o que não é dito" - Anna Cláudia Eutrópio B. d´Andrea, doutoranda em educação em sexualidade da UFMG
Excesso
“O que difere a normalidade da patologia não é a qualidade é a intensidade. Todo mundo sente as mesmas coisas, mas a patologia está no excesso”, afirma a psicóloga Anna Cláudia. Para ela, o que os pais precisam observar é em que situação a masturbação acontece. Novamente ela insiste: “A primeira tarefa é olhar sem julgamento. Acontece antes ou depois do quê? Como está o estado emocional da criança?”, sugere.

Para Adriana Monteiro, o exagerado “é só querer fazer isso e nada mais. A criança pode até desviar a atenção para outra coisa, mas retorna à masturbação”. Nesses casos, a família deve procurar um atendimento especializado.

Questões de gênero
Outra questão que envolve a masturbação infantil é a diferença da abordagem para meninos e meninas. Para Anna Cláudia, a família costuma enxergar a masturbação do garoto como uma experiência de maturidade. No caso das garotas, muitas vezes o acesso ao próprio corpo é negado. “A educação sexual da menina ainda está focada na função de dar prazer ao homem e não no prazer dela mesma”, afirma. A especialista diz que já passou da hora de as famílias educarem os meninos para respeitar o corpo da menina.

Adolescência
Para os adultos que já são pais e mães de adolescentes, o desafio da educação sexual é a família se abrir para conversar sobre as emoções dos filhos e filhas. “Discutir sexualidade não significa falar de gravidez e camisinha. Os pais focam no discurso preventivo e não acolhem as experiências que estão no nível das relações. Meninos e meninas querem falar de afeto, ciúme, machismo, padrão estético de beleza. Começar uma conversa com camisinha não vai dar liga. Não é disso que eles querem falar, não é isso que os inquieta”, afirma a psicóloga Anna Cláudia.

Uma sugestão que a especialista recomenda aos pais de adolescentes é o Manual de Educação em Sexualidade da Unesco, 'Cá entre nós: Guia de Educação Integral em Sexualidade Entre Jovens'. Para acessá-lo, clique aqui.


(Divulgação)
Livros podem auxiliar pais
A psicóloga Anna Cláudia Eutrópio B. d’Andrea indica alguns livros infantis que abordam os três temas de maior curiosidade da criança: as diferenças dos corpos de meninos e meninas, como o bebê entra e como o bebê sai.

Os pais devem se atentar para a habilidade de leitura e do desenvolvimento da criança. A dica principal é: responda na medida dos interesses deles. A leitura é recomendada para crianças entre 7 e 8 anos.

'Mamãe, como eu nasci?', de Marcos Ribeiro, aborda o tema da masturbação infantil e é um livro com maior volume de textos. Em linguagem infantil e com ilustrações que auxiliam o entendimento dos pequenos, explica a diferença entre os corpos masculino e feminino, como acontece a relação sexual, o que é gravidez e até os tipos de parto.

(Divulgação)
De Thierry Lenain e ilustrações de Delphine Durand, o trio 'Ceci quer ter um bebê', 'Os beijinhos de Ceci' e 'Ceci tem pipi?' aborda os três grandes temas de curiosidade das crianças, mas desconstrói os estereótipos de gêneros. Em 'Ceci tem pipi?', Max se vê diante de um dilema: se Ceci não tem pipi como ela pode ser tão forte?

(Divulgação)
De Babette Cole, ‘Mamãe nunca me contou’ aborda temas que despertam a curiosidade das crianças, mas que as respostas demoram a chegar. Em ‘Mamãe botou um ovo’, os pais são confrontados pelos próprios filhos nas metáforas que usam para explicar de onde vem o bebê: “Nós achamos que vocês não sabem como os bebês são feitos de verdade. Então, vamos fazer uns desenhos pra mostrar como é”. A frase é proferida pelo casal de irmãos que dá uma “aula de sexo” para o pai e a mãe.

De Saúde Plena - Reportagem retirada da Pagina Facebook Abrangente